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Reúso é a palavra de ordem

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 Existem várias frases admiráveis na biografia do pensador e escritor Peter Drucker, mas uma em especial eu admiro mais: “o planejamento de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com o futuro de decisões presentes”. Nada mais atual e presente para descrever a forma como o país - em especial alguns Estados - lida com a questão da escassez dos recursos hídricos. São Paulo, por exemplo, o Estado mais rico e populoso da nação, viveu recentemente o ápice de uma de suas piores secas da história, o que causou sérios transtornos no sistema de abastecimento.
Não escrevo para apontar problemas e causas no passado, mas sim para projetar o futuro e indicar possíveis caminhos. E infelizmente o futuro será tão desafiador quanto o momento atual se não houver uma mudança radical do ponto de vista de gestão e planejamento de longo prazo.
É necessário criar uma política de Estado que incentive verdadeiramente o reúso de água.  As medidas usadas para combater à crise hídrica, em geral, são mais caras, uma vez que a importação de água cada vez mais distante requer gastos de energia devido à água bombeada, além de causar impactos ambientais.
No Brasil, a atividade de reúso ainda não é regulamentada e tampouco há estabelecidos padrões de qualidade para serem seguidos. O que existem são apenas orientações e iniciativas em níveis estaduais e municipais que incentivam.
Não precisamos ir muito longe para encontrarmos exemplos concretos de como uma política séria de reúso pode ajudar a minimizar problemas decorrentes da escassez de água. México e Estados Unidos, por exemplo, são vizinhos de continente e apresentam bons cases para seguir de modelo. Em Los Angeles, por exemplo, o governo incentiva financeiramente a troca de componentes residenciais para o uso racional da água.
Ao redor do mundo é possível encontrar inúmeros exemplos de como países ou Estados fizeram o dever de casa com relação ao reaproveitamento da água. O que eles têm em comum? Leis, normais e incentivos reais. O Brasil ainda está distante. Na esfera federal há um projeto de lei (PLS 12/2004) que reduz a zero a alíquota do IPI em aquisições de máquinas e equipamentos destinados a instalação, manutenção, ampliação ou modernização de plantas de tratamento de água de reúso. Essa mesma política deveria, uma vez aprovada, ser cascateada para os níveis estadual e municipal, dando uma compensação tributária às empresas que utilizassem água de reúso.
O investimento em reúso torna-se mais necessário ainda quando observamos o volume de perdas, algo em torno de 30% a 40% de toda a água produzida, dependendo da região do país. Trata-se de uma enormidade, principalmente porque as redes de transportes foram construídas há muitos anos e hoje estão deterioradas. Em cidades como São Paulo, por exemplo, uma região de cabeceiras, ou seja, naturalmente carente de água, o problema se torna ainda maior, daí a necessidade de reter todo recurso hídrico possível.
Tecnologias existem. O que falta é pensar responsavelmente no longo prazo.

 

Ruddi de Souza é presidente do Conselho de Saneamento Ambiental da Abimaq e diretor geral da Veolia Water.

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